Adiantar um ano na escola: o melhor pro seu filho?

adiantar um ano na escola
Photo credit: TORIMBC via Visual hunt / CC BY-NC-ND

Quando as crianças alcançam a pré-escola, muitas famílias se questionam sobre a validade de tentar adiantá-la, e fazer logo a matrícula no 1o ano do ensino fundamental. Adiantar um ano na escola é possível, em alguns estados do Brasil (veja quais neste link), porque ações judiciais colocam “datas de corte” diferentes daquelas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. O órgão, que regula o ensino no país, estabelece que uma criança deve entrar no primeiro ensino fundamental quando completa 6 anos até 31 de março. Recentemente, alguns estados vem revendo as datas de corte. Mudanças acabam fazendo as escolas aceitarem na mesma sala de aula crianças de 5, 6 e 7 anos, porque muitas crianças seguiram seu curso normal.

Por um lado isso pode ser bom, pois crianças mais novas poderiam ser estimuladas por crianças mais velhas. Mas pense que o ritmo de aprendizado da turma pode ser bem heterogêneo e, por isso, ser prejudicado.

Adiantar um ano na escola: o que considerar

O desejo dos pais que adiantam seus filhos muitas vezes é baseado numa avaliação da criança, feita em casa ou mesmo com ajuda de profissionais, a respeito da capacidade cognitiva dela. Uma criança considerada “muito inteligente”, ou que já sabe ler antes de ser alfabetizada na escola, por exemplo. Existe uma preocupação em manter essa criança estimulada, já que uma rotina sem desafios poderia desmotivá-la de frequentar a escola. Isso aconteceu com a minha sobrinha. Ela começou a ter uma resistência em ir para a escola meses depois do ingresso. A família e a escola investigaram e observaram muito, fizeram alguns testes de convivência com outras turmas e, por fim, acabaram adiantando ela um ano. Ela estava entediada, e com essa solução o caso se resolveu.

Tudo isso é bastante compreensível, mas muitas vezes fatores muito importantes deixam de ser avaliados para essa decisão. O processo de amadurecimento de uma criança passa por muito mais do que sua “inteligência”. Ela vai desenvolvendo aos poucos sua maturidade emocional, motora, seu ritmo, capacidade de concentração. São fatores que na Educação Infantil podem até estar alinhados à turma. Mas se não forem trabalhados a seu tempo, podem ser uma questão um ou dois anos depois.

Como foi minha experiência

Aqui em casa passei por esse dilema. Uma filha que, mesmo respeitando a data de corte nacional, era das mais novas da turma. Em alguns momentos isso chegou a ser um desconforto para ela. Outra filha que aprendeu a ler precocemente – o que me fez considerar adiantá-la um ano. A escola me ajudou bastante nesse sentido. Pedi que avaliassem o caso com carinho, o que foi feito. Quando me apresentaram todos os outros fatores que mencionei aqui, entendi e confiei na avaliação. Preferimos mantê-la na turma em que estava, e com o tempo fui percebendo cada vez mais vantagens nisso.

A maior delas? Minha filha ser criança por um ano a mais! Poder brincar mais, demorar mais para ser exposta a assuntos e comportamentos de crianças mais velhas, adiar o início do dever de casa pra quando ela estiver mais preparada. Não se trata de deixá-la na zona de conforto, mas de respeitar seu tempo. Sempre observando se ela está feliz – é o que mais importa, certo?

No modelo de educação formal predominante no país, baseado em divisão por séries, com paredes entre as salas de aula e grade curricular a ser cumprida, é compreensível uma necessidade de organização. O problema é quando as famílias tentam que se adequar a isso da melhor forma e, na melhor das intenções, podem estar deixando de lado as necessidades das crianças, cada uma um indivíduo único, que precisa viver a sua infância. Infância que anda cada vez mais curta.

 

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Como escolher a escola do seu filho

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