Como ensinar seu filho a se defender

Photo credit: Philippe Put via VisualHunt.com / CC BY

A história é recente, mas o caso sempre se repete: uma menina de cerca de cinco anos apanha da coleguinha na escola. A menina não é agressiva, não está sabendo lidar com a situação. Eu também já passei por isso com o meu filho e a dor era dupla – física e do coração. Ele não entendia o que levara o amigo querido a começar a agir daquela maneira. O que fazer?

A reação inicial dos pais é de revolta. Natural, a gente sente na pele o que acontece com nossos filhos. Dói ver aquele pinguinho de ser humano apanhar sem razão.

Em primeiro lugar, respire fundo. Não é porque seu filho apanha na pré-escola que ele vai apanhar da vida. Não bater de volta não significa que a criança não sabe lidar com conflitos. Nosso papel é dar a ela outras ferramentas, que não a violência, para que saiba se impor sem agredir os outros. Se você ensinar o seu filho a resolver os conflitos com violência, estará criando uma criança violenta. Isso sim, pode ir além do ensino infantil e adentrar a vida adulta.

Em segundo lugar, dói na gente a agressão que nossos filhos sofrem, mas não podemos tratar o assunto de maneira pessoal. Não podemos tratar uma criança de quatro anos como um inimigo.

Acho difícil a gente reconhecer isso, mas a verdade é que a emoção dos pais mais atrapalha que ajuda nesse caso. Porque a tendência dos pais da criança que apanha é pensar que seu filho é uma vítima. Mas uma forma diferente de olhar para a situação é pensar que a criança agressora é uma vítima também. Veja porque:

 

Como reage uma criança pequena

Entre dois e seis anos as crianças ainda estão desenvolvendo a linguagem. Ao mesmo tempo, estão dando conta de se relacionar com o mundo à sua volta. Questões delicadas e de impacto profundo nas crianças como uma gravidez, separação, mudança da casa ou morte na família podem desencadear sinais de agressividade nas crianças. A forma como a criança é criada também pode refletir na sua expressão. Crianças que vivenciam a violência em casa não têm outra referência. Vão acabar repetindo o padrão fora de casa, também. Olhando dessa maneira, a agressividade é normalmente um sintoma, não a causa.

 

Então, como posso proteger meu filho? Nós pesquisamos e reunimos aqui as melhores dicas:

  1. Não julgue o seu filho, não o culpe pela agressão sofrida. Isso só vai deixá-lo com a autoestima baixa e vai piorar a situação. Tirar o medo da bronca dos pais é fundamental para ele se sinta capaz de resolver conflitos.

 

  1. Evite tomar a liderança para resolver a situação, a menos que ele peça a sua interferência. Ou que as tentativas dele não tenham dado resultados;

 

  1. Num primeiro momento, apenas converse com ele. A melhor defesa não é o ataque e sim não permitir a agressão. Ensine seu filho a se posicionar, manifestando desagrado. Ensine-o a reagir com firmeza mas com respeito ao mesmo tempo. Jamais incentive seu filho a reagir com violência;

 

  1. Instrua-o a procurar o professor ou um adulto se a agressão se repetir;

 

  1. Se tiver que intervir, evite dirigir-se diretamente aos pais da criança agressora. Procure ajuda da escola e esteja aberta a ouvir. Você pode se surpreender e descobrir que essa criança está passando por um momento difícil e que na verdade está precisando de ajuda tanto quanto o seu filho. Ou você pode descobrir que seu filho não é tão passivo como imagina. Combine com a professora, para o caso de acontecer de novo, que você vai orientar o seu filho a procurá-la. Por outro lado, peça que a professora fale com as duas crianças juntas. A dobradinha escola-família sempre dá bons resultados;

 

  1. Acompanhe: puxe conversa sem mencionar diretamente o assunto, para não valorizar. Pergunte com quem ele brincou, do que brincaram. Se ele contar que o fato se repetiu, pergunte como reagiu: o que disse, o que fez, se falou com a professora. Se ele não teve reação, pergunte o que teme. Conte na agenda para a professora, para que acompanhem juntas o progresso do seu filho;

 

  1. Confie que seu filho será capaz de resolver a situação por si próprio (ainda que precise da sua ajuda). A confiança e tranquilidade que você transmitir para ele nesse momento é fundamental para o processo de construção da sua autoestima;

 

E se a agressão continuar?

  1. Em último caso instrua seu filho a se afastar da criança – mas não proíba a companhia, as crianças devem aprender a resolver seus próprios conflitos;

 

  1. Se a situação não melhorar e você pensar que seu filho não está dando conta, pense na possibilidade de um trabalho conjunto com um psicólogo;

 

  1. Eu vi uma sugestão genial – mas só vale se você tiver uma real capacidade de empatia: que tal chamar a criança agressora para perto? Entendê-la melhor, mostrar a ela uma educação baseada em amor, dar a ela momentos alegres para se lembrar?

 

Por fim, pense que um dia o seu filho pode passar por uma situação difícil – e ele também pode vir a reagir dessa maneira. Um dia apanha, outro dia bate. Olhando com mais leveza, fica mais fácil não nos abalarmos tanto. Poderemos então olhar essa situação como uma ótima oportunidade de fortalecermos nossos filhos para vida!

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