Por mais natureza nas crianças

Photo credit: ajschroetlin via VisualHunt.com / CC BY-NC-ND

Em junho aconteceu o Seminário Criança e Natureza, o primeiro sobre o tema no Brasil. Nós estivemos lá para contar para você como foi. A ideia era trazer informações e reflexões sobre a conexão entre a criança e a natureza sob diferentes perspectivas: educação, saúde, cidades e meio ambiente.

 

Destaques internacionais

Richard Louv é considerado a maior autoridade do mundo no tema. Ele é conhecido por ter criado o termo “transtorno de déficit de natureza” (TDN). A TDN não é uma doença, mas uma expressão para chamar a atenção para a falta de natureza no cotidiano das crianças. Ele conseguiu criar um movimento mundial sobre o assunto. Seu principal livro, A Última Criança na Natureza, é um best seller em 20 países e foi lançado no Brasil neste evento.

Ele aponta que hoje já há estudos científicos suficientes que mostram que o contato com a natureza – e a falta dela – tem efeitos físicos, psicológicos e cognitivos no desenvolvimento das crianças. Crianças com maior contato com a natureza adoecem menos, tem melhor desempenho escolar e maior equilíbrio emocional.

Suzanne Croker é diretora do documentário “Todo O Tempo Do Mundo”, que retrata a sua incrível experiência de nove meses. Ela ficou isolada com o marido e os três filhos numa pequena cabana no meio de uma floresta do Canadá. Eles ficaram sem estradas próximas, eletricidade, água encanada, internet, TV, telefones ou relógios. Seu relato, inspirador e emocionante, mostra como a natureza pode reconectar a família. “No começo pensei: nenhum amigo para as crianças brincarem? Eles não vão aguentar! Mas, surpreendentemente, não houve tédio. Foi o melhor ano de nossas vidas em família”, ela disse.

 

O que podemos fazer

Já há evidência científica que demonstre que o contato com a natureza está relacionado ao aumento de doenças físicas e psicológicas na infância. Mas para além de nos alarmar sobre a questão, que é grave, o bacana foi inspirar-se sobre as possibilidades de saída para essa situação.

Há muito a ser feito, é verdade. As cidades não são construídas para serem lugares acolhedores nem conviver com a natureza. Precisamos lutar por mais parques e áreas verdes. Mas é também possível, aqui e agora, mudar os nossos hábitos e contemplar mais a natureza no convívio com as crianças.

Todos os palestrantes concordaram que a natureza não é só aquela paisagem incrível que fica num local muito distante, nem que seja preciso fazer a grande viagem da sua vida para poder desfrutar desse momento. Um pequeno canto, um gramado, um lago, qualquer local em que a criança possa brincar e se encantar com a natureza é o suficiente para promover essa conexão.

“Ele fazia parte da natureza como um rio faz, como um sapo faz, como o ocaso faz. E achava uma coisa cândida conversar com as águas, com as árvores, com as rãs.” Manoel de Barros

 

As escolas também são uma oportunidade para promover esse encontro. Nessa ótima entrevista, Richard Louv propõe que as escolas ofereçam mais hortas e menos tablets aos alunos.

Iniciativas como o Instituto Árvores Vivas, Instituto Moleque Mateiro e Outward Bound promovem o encontro das famílias com a natureza. O Ser Criança é Natural possui um curso virtual para pais e educadores, abordando o tema de forma prática. O Instituto Romã também possui vários recursos para educadores.

Uma proposta simples e eficaz é a formação de Clubes Natureza em Família; aqui você pode ver como colocar isso em prática agora com seus amigos.

 

Criança e natureza: para refletir

O contato com a natureza marca a infância de forma profunda e seus efeitos se sentem por toda a vida. Ele é um elo que nos conecta ao mundo e nos dá um senso de pertencimento a um todo maior.

Por mais verde e menos shoppings, por mais vento no rosto e menos likes, por mais lama e menos cliques, por mais vida e menos tecnologia!

 

Sobre:

I Seminário Criança e Natureza

13 de junho em São Paulo e dia 15 de junho no Rio de Janeiro

Iniciativa: Instituto Alana

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