Por que crianças NÃO PODEM ficar perto de cigarro

Cigarro é muito perigoso para a saúdo das crianças!
Photo credit: Shohei Hanazaki via VisualHunt / CC BY-NC-ND

Você daria uma gotinha de veneno pro seu filho ou filha? Pois quando você acende um cigarro perto de uma criança (ou deixa sua criança exposta a um fumante), na verdade é mais ou menos isso que está acontecendo.

Ao contrário de antigamente, hoje são absolutamente claros os malefícios do fumo pra qualquer pessoa. Já tivemos muitos avanços aqui no Brasil nos últimos anos. Quando eu era pequena, as pessoas podiam fumar em lugares fechados (até dentro de aviões). Tinha comerciais lindos na TV mostrando um estilo de vida inspirador. As marcas de cigarro patrocinavam eventos caprichadíssimos. Hoje não tem mais disso.

Ainda assim, são alarmantes os dados sobre novos fumantes no Brasil e no mundo, especialmente sobre quando se dá o início desse hábito. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 19% dos jovens entre 13 e 15 anos experimentam cigarros. Apesar de o número total de fumantes no país estar diminuindo, ainda eram cerca de 24 milhões de fumantes em 2014, sendo que 80% deles começaram antes dos 18 anos.

Os efeitos negativos do cigarro para crianças e adolescentes são inquestionáveis. A fumaça do cigarro fica no ambiente por cerca de duas horas e meia, mesmo que o cigarro tenha sido aceso em outro cômodo da casa.

Pesquisas sobre cigarro e crianças

Pra reforçar a importância de manter as crianças longe do cigarro, dá uma olhada nos seguintes dados que encontrei:

  • Essa pesquisa publicada no European Heart Journal (2014) concluiu que crianças expostas a cigarro por pais fumantes tinham alterações significativas nas suas artérias. Seus vasos sanguíneos se apresentavam cerca de três anos mais “envelhecidos”, com as paredes mais grossas do que esperado, e isso eleva o risco de ataques cardíacos e enfartes na idade adulta. Esse dano é irreversível.
  • A Revista Crescer apurou outras complicações identificadas e crianças que convivem com o cigarro. Perda da capacidade auditiva, isolamento social, agressividade, mais faltas na escola (especialmente por problemas respiratórios e, pasme!, até sintomas de dependência).
  • Esse estudo da Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center (em inglês) concluiu que filhos de pais fumantes tem maior probabilidade de se tornarem fumantes na adolescência. Isso acontece porque que os pais são um modelo de comportamento para os filhos.
  • Bastam cinco maços de cigarro para passar de experimentador a usuário. “Estudos com fumantes adolescentes revelam que os sintomas da dependência, como a síndrome da abstinência, o desejo de fumar e as tentativas frustradas de abandonar o cigarro, podem se manifestar na primeira semana depois da primeira baforada”, conforme relatado nessa reportagem da Scientific American.
  • Um dos artifícios da indústria do tabaco, que tem cada vez mais limitações para usar recursos de comunicação, são o design e a disposição de embalagens nos pontos de venda, buscando brechas na legislação vigente. A coisa é tão maquiavélica que normalmente esses produtos são expostos próximos a objetos de desejo de crianças, como balas e chicletes, em locais de espera (filas de pagamento de padarias, por exemplo) e na altura dos olhos das crianças! As empresas de cigarro chegam a pagar para pontos de venda exibirem móveis com visual parecido com de suas marcas. Isso acontece no mundo inteiro. Está disponível um relatório bem completo sobre o tema abordando a situação na América Latina. Isso despertou a atenção de muita gente, e já existe até uma mobilização buscando limitar o uso do recurso do design, através da adoção, no Brasil, de embalagens padronizadas. (Conheça a campanha aqui e assine a petição aqui).
É preciso ter muito cuidado!

Deu pra perceber que as crianças são potenciais vítimas do cigarro. Como fumantes passivas ou pelos artifícios da indústria do tabaco, que não mede esforços pra recuperar mercado.

Cabe a nós protegê-las.

Cresci odiando o cigarro. Nunca suportei o cheiro! Minha família era absolutamente radical com esse assunto. Nem visita podia fumar dentro da nossa casa. Como mãe, entendo mais ainda o motivo de manter o cigarro tão distante da minha vida e das minhas filhas.

Sei que, por isso, pra mim fica até fácil repetir essa atitude em relação ao cigarro em casa. Pra muita gente, abandonar um hábito que a indústria modelou para ser um vício é realmente um esforço muito grande.

Talvez colocando o amor pelos filhos na frente disso, seja possível vencer a luta contra o cigarro.

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