Esportes para crianças: é bom e faz bem

Esportes e Crianças

Há muito tempo se sabe que a prática de esportes traz benefícios para as crianças. Criança tem muita energia, está em crescimento, na fase de aprendizado onde o cérebro é uma esponja e o corpo adquire habilidades a uma velocidade impressionante. Hoje esse ponto é até meio consenso (embora, na prática, muitas famílias acabem não pensando muito sobre isso). Outros benefícios, trazidos à tona por uma enorme quantidade de estudos que existem sobre os esportes para crianças, me surpreenderam.

Benefícios dos esportes para crianças

A primeira coisa que a gente pensa quando coloca em perspectiva a prática de esportes por crianças é que ajuda a ter uma vida saudável. E muitas vezes a gente tende a simplificar o significado disso: problemas respiratórios e obesidade são os questões que obviamente podem ser tratadas com a ajuda da atividade física. Mas a coisa vai muito mais além.

Um artigo do Project Play (do Aspen Institute, em inglês) analisou uma série de estudos científicos e por fim destaca vários dos benefícios da prática dos esportes para as crianças.

BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE FÍSICA

A atividade física regular ajuda a desenvolver e manter ossos, músculos e articulações saudáveis. Também ajuda no controle do peso e do acúmulo de gordura corporal. Além disso, pode prevenir ou retardar o desenvolvimento de pressão alta. São condições que, na idade adulta, acabam diminuindo a incidência de doenças crônicas e a necessidade de remédios. Um recente estudo da National Institute of Health, que analisou uma série de pesquisas, associa atividades físicas no tempo livre à redução do risco de incidência de 13 tipos de câncer: mama, cólon, fígado e leucemia, entre outros!

BENEFÍCIOS PARA A EDUCAÇÃO

Se o ganhos para a saúde parecem pouco, tenha em mente os benefícios na educação. Um estudo de 2014 realizado com crianças do jardim de infância até o quarto ano apontou que atividades esportivas estruturadas ajudam a desenvolver/melhorar habilidades cognitivas. Atividades físicas são associadas a melhora do desempenho escolar, incluindo aí as notas. Outro estudo vai mais longe e relaciona a prática a melhora na concentração, atenção e comportamento nas atividades escolares. Posteriormente, os efeitos positivos chegam ao ambiente de trabalho: em outro estudo realizado com executivas americanas, 61% das entrevistadas acreditam que o fato de terem praticado atividades físicas contribuiu para terem uma carreira considerada de sucesso.

BENEFÍCIOS SOCIAIS E PSICOLÓGICOS

O desenvolvimento de várias características são associadas à prática de atividades físicas e esportes: auto-estima, resiliência, liderança e até a capacidade de estabelecer metas. Este artigo da Educar para Crescer ainda destaca os seguintes:

  • trabalho em equipe
  • aprendizado em lidar com derrotas
  • disciplina
  • responsabilidade
  • controle emocional
  • criatividade
  • sociabilidade

Mais dados impressionantes: meninas atletas no ensino médio tendem a ser menos sexualmente ativas, usar drogas e sofrer depressão, quando comparadas a não-atletas, segundo pesquisa da Women’s Sports Foundation. Outro estudo (Journal of American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, 2015) fez uma correlação entre esportes e saúde mental de adolescentes. Um dos dados surpreende: até pensamentos suicidas são mais frequentes entre os não praticantes de esportes!

Veja no gráfico abaixo todos os aspectos já relacionados à prática de esportes em estudos realizados em todo o mundo:

Esportes para Crianças
©Nike Inc. (2012), DESIGNED TO MOVE: A Physical Activity Action Agenda.™
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.
Quanto antes, melhor

A prática de esportes durante a infância tende a ser definidora para que o hábito se perpetue na idade adulta. Três em cada quatro adultos maiores de 30 anos praticantes de esportes já o faziam em idade escolar, segundo um estudo de Harvard replicado pelo Aspen Institute.

Um relatório bem completo do projeto “Designed to Move – Desenhados para o Movimento”  ressalta a importância de começar bem cedo. Olha como funciona essa dinâmica:

“Começando na primeira infância, as crianças desenvolvem as habilidades motoras que serão a base para suas experiências de atividade física mais tarde. Crianças que se movimentam frequentemente desde cedo, têm habilidades motoras melhor desenvolvidas, o que influencia positivamente as experiências de atividade física que elas terão quando ficarem mais velhas. Conforme elas caminham para a adolescência, as crianças traçam planos para sua vida adulta. As preferências e motivações – para a atividade física ou qualquer outra coisa – se formam durante essa fase fundamental do desenvolvimento.”

O projeto até usa uma frase bem emblemática em relação a isso: “Seis não é dezesseis”. Ou seja, se deu pra entender como isso é importante, não dá pra deixar pra depois. Mas não quer dizer que tem que sair correndo e colocar seu filho numa aula de ginástica olímpica antes dos quatro anos. Dá pra ir com calma, a coisa é mais fácil do que parece. 

Esporte também é brincadeira

Quando pensamos em esportes, vêm logo à cabeça as práticas mais conhecidas, com regras estabelecidas. Mas na verdade os esportes podem ser praticados de várias formas. Um trabalho que está disponível neste link classifica os esportes de três formas:

  • Recreativo: quando a prática acontece na brincadeira livre, bem ligada ao lazer, mesmo.
  • Educativo: quando o esporte é praticado no ambiente da escola, visando o desenvolvimento das capacidades das crianças.
  • Competitivo: aqui sim entram as regras e o desempenho. Normalmente as crianças apresentam uma certa aptidão por volta dos dez anos de idade. A partir daí a prática evolui para um nível mais voltado ao desempenho.

O interessante dessa classificação é que isso deixa mais viável para os pais promoverem a atividade física para seus filhos. Tudo bem se a família não tem condições de fazer uma matrícula numa atividade no horário fora da escola. Já vale estimular que as crianças mexam o corpo pra valer nos momentos de lazer. As regras e interações podem ser conduzidas por elas mesmas, com o incentivo dos pais, por exemplo.

O ciclo infinito

Minha família (pai, mãe, irmãos) não é muito ativa no campo esportivo. Eu mesma acabei repetindo isso. Eventualmente me aventuro na academia, mas acabo caindo na correria e a atividade física fica em segundo (ou último) plano.

O dado que mais me surpreendeu (da Designed to Move) tem a ver com a prática de esportes pelos pais, e a capacidade de isso influenciar esse hábito nas crianças. Parece até meio óbvio, porque muitos estudos falam sobre hábitos que passam de pais para filhos. Os bons (como a leitura) e os péssimos (como o consumo de cigarro – saiba mais aqui). Falando de esportes: filhos de mães que praticam atividades físicas tem duas vezes mais chances de se tornar ativos.

Imagine que uma criança se inspira nos pais e adquire o hábito de praticar esportes, tornando-se uma pessoa mais saudável para o resto da vida. Quando ela se tornar mãe ou pai, seus filhos se espelharão nela. Eles também vão adotar essa prática e ter todos os benefícios da atividade física em suas vidas. E vão propagar a prática para seus filhos.

Esportes para Crianças
©Nike Inc. (2012), DESIGNED TO MOVE: A Physical Activity Action Agenda.™ TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.

Considerando esse ciclo com potencial de propagação, fico pensando que deveria levar isso mais a sério e retomar de vez. Posso, assim, influenciar a vida das minhas filhas, dos meus netos e de quem vier depois.

Aqui em casa sempre tive a ideia formada de prover experiências para as meninas. E isso até inclui a prática de atividades físicas. Mas nunca tinha me dado conta da importância de ajudá-las a encontrar um esporte que tenha maior potencial de virar uma paixão. Ou pelo menos uma motivação para carregarem a prática pro resto da vida e disseminarem uma qualidade de vida melhor para as gerações futuras.

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