O futuro e nossos filhos

O futuro e nossos filhos
Photo credit: VernsPics via Visual hunt / CC BY-NC-ND

Participei recentemente de uma aula da Perestroika (uma escola de atividades criativas muito instigante), na qual um dos fundadores da empresa Miroculus explicou o caminho que eles estão trilhando para chegar à solução do problema do câncer no mundo. Trata-se de um grupo de pessoas brilhantes, realmente capazes de produzir essa solução (voltada ao diagnóstico precoce da doença).

É realmente impressionante, mas me chamou atenção o formato que eles adotaram para a empresa.

Claro que uma empresa tem que ser sustentável e dar lucro, mas não é essa a motivação deles. Pra esse grupo, não faria sentido encontrar essa solução se o resultado não estivesse acessível pra todo mundo. Pra. Todo. Mundo.

Não só pros ricos, não só pras nações desenvolvidas. Na visão deles, esses são quem menos precisa de soluções assim. O que eles querem é mudar a vida de gente com menos condições de pagar exames sofisticados e tratamentos caros, em países em desenvolvimento. Esse é o primeiro ponto.

O segundo é o seguinte: eles estão desenvolvendo essa tecnologia e vão deixá-la aberta, disponível pra quem quiser fazer, ou quem quiser melhorar. Com a patente aberta, o potencial de alcance disso fica sem limites.

Quando eles fazem isso eles admitem que não vão ficar trilhardários (porque imagina, quem soluciona o problema do câncer naturalmente ficaria trilhardário, certo? Pois é…).

Mas não importa, porque na verdade o que interessa é que o mundo vai ficar melhor, muito melhor. E para eles isso basta.

Tá, mas o que isso tem a ver com educação infantil?

A resposta é: tudo.

O futuro pode ser bem diferente

Quando eu vejo a motivação dessas pessoas, não tenho como não pensar nos valores que estou passando pra minhas filhas. Para quê eu estou educando essas crianças? Para serem bem-sucedidas, no sentido clássico dessa expressão (ter uma boa carreira numa empresa reconhecida, uma situação financeira confortável, serem felizes com suas famílias, etc etc)? Ou para SENTIREM a realização de um propósito maior?

Quando matriculamos as crianças nas melhores escolas o que queremos na verdade é que elas sigam o caminho correto. Fazemos de tudo para passar nossos valores, o que aprendemos desde pequenos e com a nossa experiência.

Só que o mundo está mudando, e quando vejo coisas como o caso da Miroculus não posso deixar de parar e refletir se eu não devo avaliar meus valores a cada dia, porque talvez o mundo precise de valores diferentes daqueles que aprendi, ou evoluções das verdades nas quais acreditei até agora.

Pra deixar claro: não estou desprezando o que aprendi com minha amada família e com o caminho que construí até aqui. Isso é valioso e fez de mim quem eu sou. O recado é outro: abra os olhos, abra a cabeça em relação ao futuro. Ele não é tão óbvio como a gente pensa, e no fim o que a gente quer é que nossos filhos estejam prontos pra ele, certo? Será que estamos fazendo o futuro e nossos filhos se encontrarem da melhor forma? Estamos preparando as crianças como podemos?

Vamos começar?

 

 

 

Veja também:

O que a sua filha vai ser quando crescer?

O futuro da educação dos nossos filhos

 

(30 Posts)

3 thoughts on “O futuro e nossos filhos

  1. Célia Sá

    Uma luz piscando no escuro túnel que atravessamos. Alerta para o que queremos para nossas crianças de hoje.
    Parabéns

    Reply

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