A pele que habito: o racismo em cada um de nós

Photo credit: United Nations Photo via Visual Hunt / CC BY-NC-ND

Uma amiga uma vez me contou a seguinte história: quando ela era pequena, costumava acompanhar a mãe no seu trabalho, uma escola pública. Uma vez ela tinha voltado do trabalho da mãe e a viu comentando com o pai, em tom de galhofa: ”ela estava lá, abraçada a uma negrinha”. Naquele dia ela descobriu que tinha cor. E, por tabela, o racismo.

 

Ao longo dos séculos, em todo o mundo, o racismo tem provocado exclusão, dor, sofrimento e morte. Infelizmente o racismo não é algo distante, inatingível. Ele está dentro de nós. Reconhecer a nossa porção racista é o primeiro passo para nos despirmos dos preconceitos, abraçarmos a empatia e convivermos em maior harmonia.

 

O que a ciência diz

Inúmeras pesquisas científicas, utilizando as mais modernas tecnologias, comprovaram recentemente que todas – todas – as pessoas são racistas. Através do mapeamento do cérebro foi possível comprovar que as pessoas possuem reações mais brandas ao ver uma pessoa de raça diferente em sofrimento do que um de sua própria raça. Se a nossa empatia ao sofrimento do outro passa pela distinção de raça, bem-vinda, você é racista.

 

E agora?

Isso é muito perturbador porque certamente muitos de nós jamais assumiria isso, simplesmente por não se considerar racista. Eu não me considero racista. Mas a ciência diz o contrário. Vamos supor então que a ciência esteja certa. O que eu poderia fazer em relação a isso?

 

Acredito que a aceitação é o primeiro passo. A autoconsciência nos torna mais atentos. Ao assumirmos o nosso racismo intrínseco seremos capazes, aos poucos, de identificar e reconhecer desde as situações mais evidentes até as mais dissimuladas – aqueles pequenos atos do cotidiano e expressões carregados de sutileza, que ajudam a perpetuar um inconsciente coletivo que valida o racismo de alguma forma.

 

Com esse novo olhar poderemos nos dirigir às nossas crianças de uma maneira diferente. E será através da nossa palavra e principalmente, do nosso exemplo, que as crianças poderão também ser mais receptivas às diferenças.

 

Quem sabe, então, as próximas gerações não venham a ter um melhor desempenho nos testes científicos?

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