A violência nossa de cada dia

Photo credit: rolands.lakis via Visualhunt.com / CC BY

Você já reparou como o ambiente que cerca as crianças está cada vez mais violento? A banalização da violência tem aumentado, por exemplo, na oferta dos brinquedos de Lego, nos desenhos animados e nos filmes em geral.

 

O nosso papel

Curioso perceber que essa ascensão da presença da violência na infância se dá com o consentimento dos pais. Por exemplo: numa pesquisa da Unesco sobre Classificação Indicativa, dentre as possibilidades de cenas a restringir para as crianças, quais eram as que geravam menor preocupação entre os pais? As cenas de agressão verbal, de preconceito e de discriminação.

Para entender essa “tolerância”, basta dar uma olhada em volta. Tem uma forma de violência que é cada vez mais comum no dia a dia: é a que está na “boca” dos adultos, através de manifestações agressivas nas redes sociais. As pessoas gritam e ofendem qualquer um, desde desconhecidos até amigos de longa data.

 

A treta do momento

Agora mesmo, presenciamos uma cena lamentável com a mais recente polêmica do filme “Procurando Dory”, da Pixar. Uma página no Facebook fez uma declaração infeliz para demonstrar ansiedade pela estreia do filme. Ele disseram: “eu não quero ter que empurrar suas crianças, mas eu vou”. O que se seguiu foi uma sequência de impropérios de ambos os lados. Adultos que gostam de animação hostilizando crianças nos cinemas. Por outro lado, mães e pais defendendo, às vezes de forma truculenta, o direito de estar no cinema com os filhos. A página tentou acalmar a situação, desculpando-se pelo mal entendido. Afirmou que não estimulava esse tipo de comportamento. Mas o estrago já estava feito. Lá se vai mais um dia de insultos nas redes sociais.

E como isso tudo repercute na educação dos nossos filhos?

Tudo o que fazemos é objeto de observação e análise das crianças, não há dúvida. Elas aprendem o bom e o ruim em primeiro lugar, com o nosso exemplo.

O nosso comportamento nas redes sociais também é um testemunho vivo da nossa personalidade e caráter. Com um agravante: tudo o que fazemos está registrado e eternizado e será testemunhado, cedo ou tarde, pelos nossos filhos.

Outro dia li um conselho para dar ao filho que usa redes sociais: “se você achar que isso vai te fazer passar vergonha na minha frente (na frente da mãe ou do pai), não escreva”.

Pois eu proponho a mesma regra para nós, mães, pais, educadores e responsáveis pela formação dos jovens. Antes de postar, imagine seu filho lendo um comentário ou critica sua no mural de um amigo ou numa página de notícias. Se você acha que isso poderia envergonhar seu filho ou que ele não ficaria orgulhoso de você, não escreva.

Em tempos tão complexos como o que estamos vivendo, manter a ética, a cordialidade e o respeito é a chave para encontrarmos uma saída juntos. E manter-se como um bom exemplo para os nossos filhos é o melhor caminho para criarmos adultos melhores.

 

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